As Vozes do Brasil

Rosto de uma mulher indígena com uma mão cobrindo o olho esquerdo e uma mão cobrindo a boca.

A ideia

Quem nunca ouviu o programa de rádio “A Voz do Brasil”? Em teoria, deveria ser um programa que apresenta ações e notícias políticas que englobam o interesse de todas as pessoas que vivem no Brasil. O enorme problema é que muitas vozes não encontram espaço para ecoar. Muitas pessoas são negligenciadas por conta de seu gênero, raça, orientação sexual, identidade de gênero, classe social, deficiência, regionalidade, religião, cultura, posicionamento político, crença, entre tantos outros marcadores identitários que não são considerados como “ideais” ou “padrão”. 

Num país completamente diverso, ‘gigante pela própria natureza’ e de tamanho continental onde vivem pessoas tão diferentes, não existe “A Voz do Brasil”, mas sim vozes que nem sempre sincronizam e cantam em coro, que carecem de coisas diferentes e precisam ser consideradas pelo governo, políticas públicas e, indo menos longe, por seus próprios vizinhos e comunidades.


O separatismo sempre existiu, a equidade jamais foi atingida. Esse projeto nasce da ideia de trazer um retrato das reais vozes desse país com uma análise profunda, política e interseccional, ou seja, que avalie o cruzamento de marcadores identitários, governamentais e a relação de perfis com os diferentes níveis de vulnerabilidade social existentes no Brasil.  Se, de acordo com a Declaração dos Direitos Humanos, “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, precisamos dessa análise para avançar nos direitos humanos, para avançar pela equidade, para lutar contra retrocessos de políticas seletivas e, nesse momento principalmente, como medida de contenção de danos, ou seja, como uma diretriz do que se pode fazer como sociedade civil para que as pessoas mais vulneráveis, negligenciadas e despidas de direitos tenham melhor acesso ao que lhes carece mais.

O projeto

“As Vozes do Brasil’ é um projeto de pesquisa em formato misto, com partes quantitativa e qualitativa, duração de quatro anos e público nacional com intuito de captar visões e experiências pessoais e únicas de pessoas de diferentes lugares de fala no Brasil. Sua principal ideia é trazer relatos heterogêneos de reais vozes desse país junto de uma análise profunda, política e interseccional, avaliando o cruzamento de marcadores identitários, governamentais e a relação de perfis analisados de forma desagregada e dentro de diferentes contextos (raça, cor, gênero e identidade de gênero, orientação sexual, classe social, deficiência etc.) com os diferentes níveis de vulnerabilidade social existentes no Brasil. Essa análise é substancial para preencher lacunas de indicadores de direitos humanos nacionais e surge como uma ferramenta de apoio ao avanço pela equidade, à luta contra retrocessos consequentes de políticas seletivas e como medida de contenção de danos, trazendo uma diretriz do que se pode fazer como sociedade civil para que as pessoas mais vulneráveis, negligenciadas e despidas de direitos tenham melhor acesso ao que lhes carece mais.


Além de um relatório analítico, o projeto visa levar informações sobre direitos e canais de apoio e de denúncia para a população. Adicionalmente, será montado o Mapa Brasil em Rede, que informará ao público sobre as principais necessidades de cada município, auxiliando a formação de projetos por vizinhos, ONGs ou qualquer grupo interessado em se articular para ajudar no entorno de seus locais de residência. O sentimento principal é o de colaboração humana por condições humanas melhores através da criação de uma ferramenta de melhoria social que pode ser usada facilmente por cidadãos comuns.

Principais Objetivos

Os principais objetivos desse projeto são:


  • Fazer um levantamento heterogêneo e fidedigno (como deve ser) da situação de vida de pessoas do país através de entrevistas diretas, ou seja, de um “ouvir” ativo e proativo, posteriormente transformando essas informações em um relatório de real representatividade do povo brasileiro;
  • Analisar o cruzamento de marcadores identitários em relação à situação das pessoas entrevistadas, buscando um padrão de carências de direitos, políticas e espaços mais aprofundado e ainda não existente em pesquisas e materiais nacionais;
  • A partir de dados quantitativos já existentes sobre a população brasileira, cruzar experiências, emoções, sensações e dizeres para que se tenha um retrato da população que vá muito além dos números e sirva de diretriz futura para melhor amparar populações e comunidades negligenciadas em seus aspectos mais detalhados;
  • Criar um mapa de assistência para pessoas da sociedade civil que têm interesse em se dedicar à luta pelos direitos humanos e principalmente para pessoas que estão em situação de privilégio e querem protagonizar transformações para elevar outras pessoas ao mesmo patamar através de ações locais, em organizações, comunidades, grupos informais ou qualquer estrutura possível e desejada em todos os municípios do país, facilitando a organização de redes de apoio e grupos militantes;
  • Informar as pessoas pessoalmente e, posteriormente, por meio do relatório, sobre serviços e ações já disponíveis nas esferas federal, estadual e municipal, governamentais e não-governamentais, para que tenham informações sobre redes de apoio e possíveis “locais” para recorrer quando necessário;
  • Informar as pessoas pessoalmente e, posteriormente, por meio do relatório, sobre assuntos primordiais como direitos, saúde, educação, prevenção de doenças, dados diversos, políticas públicas etc.;
  • Servir como diretriz governamental para a criação de projetos e políticas mais inclusivas e alinhadas com a realidade do povo e suas especificidades.

Mais informações

Para sanar possíveis dúvidas em relação à execução do projeto, o documento "Esclarecimentos" detalha o planejamento que usa como base o guia para aplicação de pesquisas de direitos humanos Human Rights Indicators: A Guide to Measurement and Implementation das Nações Unidas (2012), informações do Instituto de Estudos Internacionais de Política (ISPI) e de outros institutos de organizações de pesquisa em direitos humanos no mundo.

Para acessar, basta fazer o download do PDF na sessão abaixo em "Arquivos".

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Para qualquer assunto relacionado ao projeto "As Vozes do Brasil", escreva para vozes@angelou.com.br

Arquivos

Baixe aqui o detalhamento do projeto.